Eu já vivo a milhões de anos,
todos eles muito soberanos.
Eu sou um pedaço da eternidade.
Pela transmissão à posteridade !
Meus versos muito solitários,
gravados em belos relicários.
Ficarão marcados na evocação
do tempo que durar meu coração !
Sempre faço as estrofes uma a uma,
sem querer deixar marca alguma.
Na filosofia das antigas gerações,
que enfeitaram imensos corações !
Todos nós pertencemos à eternidade,
e os poetas são os reis da humildade.
Fazemos as poesias com distinções
para ornamentarmos os corações !
Milhões de anos eu sei que já vivi,
e deles pendores sempre eu senti.
Na transmissão eterna dos corpos
surgirão outros poetas esbeltos !

