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Socorro Lima Dantas
Recebi a tua carta, meu coração reacendeu, e o peito pulsou forte, por uma razão: houve um adeus !?... acaso seria tu mesmo a me escrever ? fiquei na incerteza... envelope vermelho... perfumado... como outrora foi a nossa história. Só poderia ser tua, aquela carta tão esperada ! Incentivada pela certeza, destrocei o envelope ! Inquieta, arranquei o conteúdo, papel amarelado pelo tempo?... Li as primeiras palavras, uma declaração de amor que só tu sabias fazer ! Parei por um segundo, fechei os olhos e sonhei ... Com mais calma, continuei a leitura, espírito refreado, fui decifrando o teu desejo: promessas de volta, data marcada... Lentamente, fui entendendo o teu conto, lá estava toda uma história de amor ! Sorriso nos lábios, lágrimas nos olhos, consegui desvendar a última linha descrita: faltou coragem de endereçar-me aquela carta, somente agora postada... Sem esperanças de um novo encontro, ainda que fosse tarde, querias declarar-me o teu amor, dizer-me não ter sido arrancado do teu peito onde permanece guardado o nosso apego, de um passado cheio de dor cultivado pela saudade, perfumado pelas pétalas secas da flor que um dia enfeitou o nosso amor, ainda conservadas em teu diário parceiro do nosso passado que não volta mais !
 

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